domingo, 18 de dezembro de 2011

MA TEM 14 DAS 56 CIDADES MAIS POBRES DO BRASIL, CONFIRA

Esta semana o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou os números relativos ao Produto Interno Bruto (PIB) per capita dos municípios brasileiros. O Maranhão se destacou com alguns índices negativos com 14 dos 56 municípios de menor PIB por pessoa, perdendo apenas para o Piauí, que teve 17 municípios com o menor Produto Interno Bruto per capita.

No ranking brasileiro, o município de São Vicente Ferrer ocupou o último lugar entre os municípios com o menor PIB per capita, com o valor de R$ 1.929,27 por pessoa.

O IBGE apontou alguns fatores que foram determinantes para essa colocação.Segundo as informações, São Vicente Ferrer perdeu 77,6% da quantidade produzida e 83,4% do valor total bruto da produção de mandioca no município, em razão dos estragos provocados pelo intenso período chuvoso que assolou o Maranhão em 2009.

Diferente do cenário de São Vicente Ferrer, alguns municípios brasileiros, como São Francisco do Conde, na Bahia, e Porto Real, no Rio de Janeiro, estando em posições de destaque favoráveis, ocupando a primeira e segunda colocação, respectivamente, no ranking brasileiro.

Isso se deve ao fato de que essas duas cidades abrigam grandes indústrias em seus territórios. O município baiano, por exemplo, possui a segunda maior refinaria em capacidade de refino do país; a cidade fluminense, por sua vez, possui uma grande indústria automobilística.

Entretanto, O IBGE alerta que a geração de riquezas, por meio Produto Interno Bruto, dividida pela população residente pode não ser indicativo real do rendimento dos moradores. Em nota, o IBGE explica que "é relevante salientar que nem toda renda gerada no município foi apropriada pela população residente, visto que a geração da renda e o consumo não são necessariamente realizados em um mesmo município".

Confira os municípios que foram destaque na pesquisa e entenda o porquê:
-O município de Triunfo (Rio Grande do Sul), pertencente à Região Metropolitana de Porto Alegre, era sede de um polo petroquímico importante.
-Confins (Minas Gerais) ganhou posição desde 2005 com a transferência da maior parte dos voos do aeroporto em Belo Horizonte para o aeroporto internacional situado no município.

-Louveira (São Paulo) concentrava centros de distribuição de grandes empresas.
-Jambeiro (São Paulo), localizado próximo ao município de São José dos Campos (São Paulo) e demais cidades do médio Vale do Paraíba e do litoral norte, tem sua base econômica integrada a esses municípios, e nele se destacaram, em 2009, os setores de fabricação de produtos de metal e indústria alimentícia.
-O município de Alto Horizonte (Goiás) produziu e beneficiou sulfeto de cobre.

-No município de Campos de Júlio (Mato Grosso), a economia estava concentrada na produção agrícola de soja (em grão) e milho (em grão).

-No município de Araçariguama (São Paulo) havia importante indústria siderúrgica.
-Anchieta (Espírito Santo) caracterizava-se pela pelotização e sinterização de minério de ferro.

São Vicente Ferrer (MA) sofre com menor PIB per capita do país

 

São Vicente Ferrer, a 280 quilômetros de São Luís, tem pouco mais de 20 mil habitantes, nenhuma indústria e 170 lojas, a base da economia na área urbana do município.
De cada dez moradores de São Vicente Ferrer, sete vivem na área rural. Boa parte depende da agricultura de subsistência, ou seja, planta basicamente para comer. E quando as coisas vão mal na lavoura, toda a cidade sofre as consequências.
O plantio de mandioca é a principal atividade na roça. "Quando a colheita não é boa, a gente tem dificuldade mesmo e a gente chega ao ponto de passar fome", conta o lavrador Carlos Martins.
Dois anos atrás, muita gente passou por isso. "Chegou a enchente, alagou e matou a colheita", lembra um morador.
"A gente vive disso, a gente tem os animaizinhos para dar ração, a gente planta para comer e sobreviver. Falhou, a gente tem prejuízo", diz outro morador.
Os problemas no campo estão entre os motivos apontados pelo IBGE para que o município maranhense tivesse o pior PIB per capita do país: menos de R$ 2 mil. O reflexo disso está espalhado pela cidade.
Em uma escola, os alunos já se acostumaram com a despensa vazia. “Não tem merenda. O jeito é ficar com fome”, conta um menino.
O transporte escolar é precário, em um ônibus a equipe de reportagem do Jornal Nacional encontrou até um botijão de gás usado para escorar uma das portas.
“Não funciona pisca-pisca, velocímetro, buzina. É muito perigoso. Transporto entre 60 e 70 crianças”, diz o motorista.
No único hospital da região: “O médico deu uma saidinha. Ele mora aqui pertinho”, argumenta a atendente.
Enquanto a equipe esteve na cidade, a companhia energética cortou a energia da Secretaria de Saúde, onde funciona também o gabinete do prefeito João Batista Freitas: "Aqui não tem empresas. Aqui não tem fazendas. O cara ou tem um emprego na prefeitura, ou Bolsa Família ou aposentadoria e a agricultura é essa coisa toda aí".

Com imformações do Imparcial e do Jornal Nacional